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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A CAMAREIRA



A CAMAREIRA de Wind Rose

Em versão impressa (livro) e digital (ebook)!
Revisado e revisto! 

Para adquirir o seu basta acessar:
A CAMAREIRA de Wind Rose
 


 SINOPSE: Uma troca de olhares fugidia, um encontro de almas estalando como um relâmpago e nada, jamais, voltará a ser como antes.
O encontro dos opostos que delineiam Andréa e Carmen em uma dança da vida traz consigo muitas dúvidas, perigos e uma paixão avassaladora que vai ser posta à prova.
Quarto lançamento da Coleção Arco-Íris e o segundo livro publicado pela escritora Wind Rose.


Detalhes:
Título: A Camareira

Autora: Wind Rose
Coleção Arco-Íris - Quarto volume
Livro 12x18cm  | 260 páginas

ISBN: 978-85-910000-7-4





Terceiro romance escrito por Wind Rose. Postado pela primeira vez em 2007 publicado em 2016 pela Editora Vira Letra.




PLÁGIO É CRIME! NÃO COPIE, CRIE! 

Todos os direitos reservados. 


Proibida a reprodução, adaptação ou disponibilização para download,  no todo ou em parte, através de quaisquer meios, sem a autorização da autora. 
Lei de Direitos Autorais nº. 9.610/98




Lembrando que... Copiar a história apenas trocando o nome das personagens não é fanfiction nem adaptação, é plágio. Por favor, não façam isso, ok?




Capítulo 01

Desci do ônibus abaixo de uma chuva torrencial. Atravessei a rua e rapidamente passei pela entrada de serviço. Entrei no hotel correndo e fui imediatamente trocar de roupa no vestiário. Encontrei Marta e Cíntia, que já estavam uniformizadas e saindo em direção à cozinha.
- Atrasada de novo! Não sei, não senhorita Carmem... Assim não vai durar muito. O senhor Joaquim é muito exigente, principalmente quanto aos horários. Já esteve aqui duas vezes perguntando por você....
- Você não dá folga, Marta...Dá um tempo pra ela - falou Cíntia, antes que eu pudesse responder.
- Droga!! Dona Marta, perdi o ônibus... Não foi culpa minha e além do mais... - não terminei a frase. O Sr. Joaquim, um dos sub gerentes do hotel, interrompeu de forma imponente:
- Ah!! Muito bem... Chegou senhorita? Qual a desculpa desta vez? Convença-me!
- Desculpe-me... Essa chuva atrasou-me, perdi o ônibus e não tive outra saída a não ser esperar o próximo. Por favor, senhor, eu não posso perder esse emprego e... - já sentia uma lágrima escorrer pelo rosto no momento em que ele, novamente, a interrompeu.
- Tá certo, tá certo... Também precisamos de você, o hotel está lotado. Mas que seja a última vez! - saiu batendo a porta.
Apesar de demonstrar uma autoridade exagerada, era compreensivo. Já havia demonstrado isso em outras situações.
********
Em uma das suítes, no décimo andar...
Andréa abriu as cortinas que davam acesso à ampla varanda, cuja vista era uma das mais lindas da cidade de Florianópolis. Sentiu a brisa do mar em seu rosto e uma alegria, imensa a invadiu.
Estava de volta à cidade que lhe deu tantas alegrias, foi ali que se formou em administração, foi ali que deixou muitos amigos queridos, e foi ali que descobriu a felicidade ao lado de Fernanda, seu primeiro grande amor...
Depois vieram outros, e outros, e outros, pois nunca acreditou em amor eterno... Voltou para o quarto e olhou para a cama, onde uma linda loura a olhava sonolenta.
- Hm!!! Bom dia! Já de pé, senhora Andréa? - zombou.
- Sim.... Quero dar uma volta pela na cidade, combinei com Paula e, também, estou com saudades... - falou carinhosamente.
- De novo a Paula? Vocês não cansam não? Desde que chegou vocês não se desgrudam... É cedo, vem aqui só mais um pouquinho... A Paula espera... - falou dengosa. Andréa olhou para ela e não resistiu.
- Vou ... Mas antes vou pedir um café, espera? Assim como está... - falou sorrindo
- Não vou a lugar algum... Aliás, vou sim... Mas com você. Vem logo!
***
- Senhorita Carmem, por favor, leve o café da manhã na suíte da senhora Andréa Alcântara... Ela solicitou que seja servido na varanda. Você pode entrar e sair, entendeu?
- Claro, senhor Joaquim... Estou indo - respondi e me dirigi, rapidamente, à cozinha.
Parei na porta da suíte e abri devagar, não queria perturbá-la, caso estivesse dormindo. Entrei sem fazer barulho e empurrei o carrinho até a varanda. Coloquei-o próximo à mesa e, aos poucos, fui organizando sobre a mesa o farto café da manhã. Dirigi-me à porta... Mas algo me deteve...
Ouvi sussurros e vozes vindo do quarto, a porta estava apenas encostada. Tive a clara impressão de ouvir mulheres...Gemidos...Fui me aproximando, minha razão me mandava sair imediatamente, mas... Algo me fazia caminhar em direção àquela porta...
Olhei através do pequeno espaço aberto e vi o enorme espelho na parede e, refletido nele, a cena mais linda que meus olhos já viram.
Senti um arrepio percorrer minhas costas, a umidade surgir em alguns locais, dentre eles minhas mãos, minha nuca... Não conseguia me mover, não sei quanto tempo fiquei ali... Saí do transe no momento em que o ato se consumou. Dei um passo para trás, depois outro, e outro... Até chegar na porta, abri e sai. Esqueci o carrinho...
Durante o dia, não consegui tirar a cena de minha mente. Nunca imaginei que ficaria tão excitada vendo duas mulheres transando. Lindas...uma loura, cabelos compridos, sobre a outra... Cavalgando, se esfregando de forma sedutora... A morena segurando-a pela cintura, dando ritmo ao movimento, trazendo-a para si...Depois, levantou-se, tomou um de seus seios com a boca... Continua puxando-a mais para si, penetrou-a. Os movimentos se intensificaram... Até que as duas chegam juntas ao orgasmo..
"Como vou esquecer isso? Nunca!!!", pensava durante o trajeto para casa, no ônibus.  "Qual delas é Andréa?"
Cheguei em casa e me deparei com minha realidade...Henrique dormindo embriagado e a casa em estado deplorável. Não agüentava mais aquela situação, precisava resolver isso o mais rápido possível.
Há muito tempo não o amava mais, todo o romantismo, a paixão, as promessas.... Tudo aquilo que um dia sonhei em viver ao lado dele haviam ficado no caminho. Vivíamos juntos há cinco anos.e, nos últimos dois, tive que conviver com traficantes, bêbados, viciados, bandidos e, ainda, agüentar suas agressões...
Tinha que dar um basta! E esse emprego seria a salvação, logo teria condições de ir embora.
Estava trabalhando no hotel há quatro meses. Depois de passar por diversas lojas e empregos temporários, havia conseguido algo razoavelmente melhor... O salário não era ruim e gostava do trabalho, embora cansativo.
O fato de não ter  pai nem mãe, pois morreram quando ainda era criança, agravava mais a situação... Até os dezoito vivi em um orfanato, depois morei durante um ano com uma senhora  idosa, onde prestava serviços de acompanhante e cuidava da casa.
Nessa época conheci Henrique, cheio de planos e promessas... Apaixonei-me e decidimos morar juntos, foi meu primeiro namorado.
Estava agora com vinte e quatro anos, e então percebi que minha vida não tinha sentido, já tinha dedicado muito tempo àquela relação vazia...
Olhei para ele, para a casa... Suspirei.
Resolvi tomar um banho e ir para a cama... Deixei para arrumar e limpar a casa no outro dia, pois era minha folga semanal. Fui para a cama lembrando daquelas imagens que havia presenciado. Dormi pensando naquela morena... "Deliciosa". Meu último pensamento me deixou assustada.

Aviso sobre direitos autorais Copyright © Wind Rose e Editora Vira Letra . Todos os direitos reservados. Você não pode copiar (seja na íntegra ou apenas trechos), distribuir, disponibilizar para download, criar obras derivadas, adaptações, fanfics, nem fazer qualquer uso desta obra sem a devida permissão da autora.

Capítulo 02


Andréa encontrou-se com sua amiga Paula. Passaram o dia caminhando pela cidade. Mercado público, calçadão, entraram em algumas livrarias, conversaram sobre os últimos acontecimentos na vida de cada uma.
Durante o almoço, Paula contou-lhe que estava bem com Lílian, estavam felizes e planejando morar juntas, o que deixou Andréa feliz, pois sabia que a amiga havia passado por situações muito difíceis com a última relação.
Conheciam-se há muito tempo e, mesmo distantes, acompanhavam a vida uma da outra. No meio da tarde, despediram-se e combinaram de sair durante a semana e, também, de encontrarem-se na festa que aconteceria no sábado.
Andréa retornou para o hotel. Ao chegar, recebeu diversos recados de amigos que queriam dar-lhe as boas vindas e confirmar presença na festa para comemorar a sua volta. Retornou para alguns.
Tinha em mente mudar-se para uma casa. Pretendia ficar muito tempo na cidade e conseguiu convencer sua mãe a nomeá-la vice-presidente das empresas  na  região sul, o que lhe daria possibilidades de se fixar em Florianópolis.
Desde a morte do pai, quatro anos antes, a mãe tinha assumido as empresas que eram constituídas de lojas e hotéis e filiais em toda região sul. Ficara por três anos nos EUA, especializando-se em Administração e Marketing. Filha única, estava com vinte e oito anos e sabia que estava pronta para assumir a responsabilidade que agora, queria colocar em prática.
Estava há dois dias na cidade e, assim que chegou, ligou para alguns amigos e ex-colegas da universidade com quem nunca perdera contato. Combinaram diversos programas, no primeiro deles encontrou Sabrina, uma antiga namorada. Em nome dos velhos tempos, resolveram matar as saudades. Foi com ela que Andréa acordou naquela manhã.
***
Na sexta-feira acordei com  Henrique gritando na sala. No telefone com alguém:
- Já disse. Não tenho o dinheiro. Assim que tiver pago!
 - Henrique, você está devendo pra eles? - perguntei assustada.
Sabia que o tipo de gente com quem ele mantinha negócios era muito perigosa.
-  Não enche você também! - respondeu sem me olhar.
- Henrique... Não agüento mais isso. Por que não arranja um emprego como todo mundo? Desde que se envolveu com essa gente você mudou. Nossa vida é um inferno. -  falei com calma.
- Que emprego, Carmem? Desses que você tem? Não... Dispenso! Não nasci pra servir de capacho pra ninguém! - estava bravo.
- Você quem sabe. Eu cansei. Não agüento mais essa vida, Henrique, não aguento mais essas pessoas aqui em casa, esses telefonemas... Não dá mais!
- O que quer dizer? Quer me deixar? Nunca! Entendeu? - segurou em meu braço e me puxou pra ele.
- Você está me machucando...
- E vou te machucar mais. Nem pense em me deixar, ouviu? - empurrou-me.
Bati as costas no armário. Não falei mais nada e ele saiu batendo a porta.
Sabia que não seria fácil, mas já havia decidido: assim que tivesse segurança, sairia dali. Nem que tivesse que fugir.
Passei a sexta- feira arrumando e limpando a casa. Ele não retornou, o que foi um alívio. Assim não teria discussões...
À noite, liguei a tv e deitei no sofá. Estava cansada. Adormeci lembrando das cenas que havia presenciado naquela suíte. Imaginei como seria estar no lugar daquela loura.
Acordei com Henrique me beijando e tirando minha camisola. Senti o cheiro de bebida e cigarro, me deu nojo.
- Não... Não quero...
- Tô com vontade de você, minha morena. Deixa...
- Henrique... Por favor, não - tentei sair debaixo dele.
- Você nunca quer! Pois agora eu quero!  
Segurou meus braços com força e, com uma das mãos, os prendeu acima de minha cabeça. Com a outra arrancou minha calcinha, rasgando-a e me machucando.
Resolvi ceder. Percebi que não teria como evitar, sabia que ele faria, eu querendo ou não...
Senti a invasão em meu corpo... A dor... E lembrei das vezes que fizemos amor e de como era bom. Lembrei que só me entreguei a ele quando tive certeza que o amava, pois sempre acreditei que o sexo tinha que ser acompanhado de um sentimento maior. Ele teve paciência, foi carinhoso, se preocupava com o que eu sentia.
Agora ele estava li, em cima de mim....E eu queria que terminasse logo. Chorei...
Fez o que queria e senti seu corpo pesar sobre o meu. Saí de baixo dele e fui para o banheiro. Sentia-me péssima, agredida. Tomei um banho, passei na sala e o vi dormindo no sofá, do mesmo jeito que o tinha deixado. Senti raiva e fui pra cama.   
No sábado saí de casa mais cedo que habitualmente, não queria que ele acordasse antes. Não queria falar, tampouco vê-lo. Estava com ódio dele.
Cheguei no hotel meia hora antes, estava terminando de prender meu cabelo quando Cíntia entrou.
- Puxa, chegou cedo hoje!
- Pois é, quanto menos ficar em casa melhor. - falei. Ela acompanhava meu pesadelo com Henrique.
- Você tem que resolver isso, Carmem! Esse cara tá te fazendo mal. Já disse que você pode ir lá pra casa a hora que quiser.
- Obrigada, Cíntia. Eu sei, mas quero fazer com calma. Não vou me precipitar. Tenho medo das reações de Henrique. - assim que terminei de falar a porta abriu e por ela passaram mais alguns funcionários, o que fez com que mudássemos de assunto.
Próximo das dez horas da manhã, o Senhor Joaquim me chamou pelo interfone para ir até a cozinha. Atendi prontamente.
- Senhorita Carmem, leve o café para a suíte da Sra Andréa. - falou e se dirigiu para a recepção.
Senti minhas pernas tremerem. Minhas mãos suaram. Fui.
Desta vez não tinha a orientação para entrar. Bati, esperei, bati novamente, esperei e a porta abriu. Uma ruiva atendeu. "Outra?", pensei. E não gostei. Só não sabia por que.
- Ah! O café! Entra - virou as costas. Vestia um robe de seda, branco e preso com um laço na  frente deixando à mostra o corpo escultural.
- Bom dia! Senhora, onde posso servir? - perguntei. E pensei: "Agora sei quem é Andréa. E sei também que não vale nada".
Antes que ela respondesse, a morena surgiu do quarto vestindo também um robe, porém preto. Meus olhos fixaram aquela imagem. Se a outra era bonita... Não saberia como defini-la. Linda! Deslumbrante! Perdi o fôlego. Os cabelos cacheados longos, a pele bronzeada, os olhos negros... Uma boca... Parei ali. Senti seu olhar me analisar rapidamente e desviar-se.
- Pode colocar na varanda - falou e se dirigiu para onde havia indicado.
Empurrei o carrinho na direção indicada. Sentia minhas pernas tremerem...
Ela debruçou-se no parapeito e ficou de costas, a ruiva aproximou-se e colocou a mão em suas costas, fazendo um movimento de cima para baixo... E parando em sua cintura, puxando-a para si... Fiquei molhada.
- Posso servir? - achei que a voz não sairia.
- Claro. Estou morta de fome.  - ela respondeu virando-se e caminhando em direção à mesa.
A ruiva sorriu e sentou-se ao seu lado. Bem próximo.
-  O que acha de darmos uma volta na Lagoa? - perguntou a ruiva.
-  Hoje não. Quero ir até o escritório, preciso começar logo. Dona Maria Alice é exigente, tenho que dar retorno, senão ela me manda voltar pra casa. - falou com um sorriso mais... Mais... Não saberia definir..
-  Andréa... Hoje é sábado! Vai trabalhar? E a noite temos uma festa, esqueceu? - a outra perguntou com espanto.
-  Claro que não esqueci. Mas à tarde vou ao escritório, preciso fazer isso, linda! - falou colocando a mão na perna da ruiva
Quando vi isso perdi o controle das mãos e o café saiu da xícara e esparramou-se na toalha. A ruiva deu um pulo da cadeira e me olhou furiosa.
- Sua idiota! - gritou
- Desculpa... Me perdoa... Droga! - falei tentando limpar e completamente atrapalhada.
-  Sua incompetente! Olha o que fez... Podia ter me queimado! - a ruiva continuou enquanto tentava limpar os pingos que caíram em seu robe.
- Desculpa... Não sei o que houve... Desculpa... - não sabia mais o que dizer e minhas mãos tentavam em vão arrumar o estrago na mesa. Senti a umidade em meus olhos. Ia perder o emprego... Estava em pânico.
Senti a mão firme em meu braço.
- Calma... Tudo bem...Calma! - ela disse me olhando fixamente. 
A ruiva saiu em direção ao quarto esbravejando... E tirando o robe...
- Andréa... Não quero mais essa mulher aqui! Se você não falar com a gerência eu falo! Essa... Essa... Sua tonta! - e bateu a porta.
Coloquei as mãos no rosto. Chorei...
-  Olha, tudo bem, foi um acidente... - ela disse tentando me acalmar.
Olhei para ela com os olhos cheios... Algo naquele olhar me fez sair correndo. Desci para o vestiário e fiquei lá.
Chorei... Não pelo fato em si, mas por tudo que estava passando, por Henrique,  pelas agressões, pela vida infeliz que tinha...
Fiquei ali até o interfone chamar. Era o Senhor Joaquim me chamando para ir até sua sala. Sabia o que aconteceria...
***
- Por favor, aqui é Andréa Alcântara, quero falar com a gerência, peça para vir até a minha suíte com urgência.
Menos de dez minutos depois, o Gerente geral do hotel, Senhor Alfredo da Fonseca, estava na sala, na frente de Andréa.
- Senhor Alfredo, hoje ocorreu um fato em minha suíte, acredito que minha amiga já deva ter relatado ao senhor.
- Claro... A Senhorita Sandra Mendonça esteve na minha sala, há meia hora e me relatou tudo o que aconteceu. Quero pedir desculpas em nome da administração e informar que as providencias já foram tomadas. - falou tendo certeza que ela aprovaria sua decisão.
- Posso saber quais?
- A funcionária Carmem, neste momento, deve estar assinando sua demissão, pois o ocorrido foi imperdoável. Não podemos admitir a falta de... - não conseguiu terminar.
- Pois eu quero que reconsidere. Não quero que a demita. Foi um acidente, ela não teve culpa.
- Desculpa, mas.. Não podemos aceitar. - não concluiu novamente.
- Acho que o senhor não entendeu...
- Senhora Andréa, isso depõem contra nosso serviço. Sua amiga deixou claro que ela foi ineficiente e... - antes que ele terminasse a frase, ela se aproximou. E seu olhar demonstrava que não se tratava de um pedido.
- Quem paga seu salário, Senhor Alfredo? - falou baixo, firme e sem nenhuma paciência.
- Han... É... É...
- Sim! Sou eu. Esse hotel pertence a mim. Portanto, faça o que estou mandando.
- Claro. Desculpe... Eu só queria prezar pelo... Desculpe...
- Pode ir.  - e virou as costas em direção ao quarto.
Pela primeira vez, ele sentiu na pele os motivos pelos quais os funcionários tinham medo dela. Objetiva, sem rodeios. Percebeu que estava diante de uma mulher fria. Só não entendeu o porquê da preocupação com uma simples camareira. Aliás, uma bela camareira.  Talvez esse fosse o motivo. Sabia as preferências de Andréa Alcântara.
***
Bati. Ouvi a voz do Senhor Joaquim autorizando a minha entrada.
- Sente-se, Senhorita Carmem. - não me olhou. Eu sabia que para ele era difícil.
- Pois não, senhor? - respondi com um fio de voz. Meus olhos vermelhos, meu rosto inchado...
- Você sabe que sou obrigado a cumprir ordens, e se tratando de Andréa Alcântara, as coisas ficam muito complicadas. A reclamação partiu de sua suíte.
Sabia que isso aconteceria, mas não esperava que ela própria iria reclamar. Afinal, havia se mostrado tão compreensiva... Como sou idiota! É claro que ela iria reclamar. A namorada exigiu! Namorada? Quantas será que ela tem? Esse pensamento não me agradou.
- Eu... Eu... Não sei o que houve, fiquei nervosa... Perdi o controle... E... - não falei mais. Não queria me humilhar.  Se aquela riquinha metida achava que iria implorar pelo emprego, estava enganada.
- Não tenho outra saída. Aqui está a sua rescisão contratual e todos os seus direitos. - falou com a voz embargada.
Não iria chorar. Peguei aquele papel e comecei a ler. O telefone tocou, ele atendeu.
- Sim, Senhorr Alfredo, já estamos assinando. - silêncio. Ele continuou: - Como? - silêncio. - Claro que entendi. Sim. Não há problemas. - desligou o telefone, me olhou com uma expressão de incredulidade, e falou:
- Esquece, menina. Devolva-me aqui, não será necessário isso. - sorria.
Quem não entendeu fui eu.
- Não serei demitida? – perguntei.
- Não. Pode voltar ao trabalho. E da próxima vez, tome mais cuidado. Pode ir - pegou o papel e rasgou.
Não sabia se ficava feliz ou triste. Afinal, entendi o olhar dela para mim. Foi pena.
***
No almoço, contei tudo à Cíntia, que me olhava com cara de espanto.
- Você teve sorte! Dizem que ela é terrível! Todos aqui tem medo dela. Acho que ela gostou de você. - falou e riu.
- Foi pena, Cíntia. Só isso. Vi no olhar dela. - disse olhando para o prato com tristeza.
- E você não gostou de manter seu emprego? Parece que ficou triste!
Suspirei.
- Claro que gostei! Mas... Me senti... Sei lá... Nada ver... Claro que gostei.
- Xi! Não te entendendo...
- Esquece.  - levantei.
***
Andréa retornou do escritório no final da tarde, entrou no hotel, viu alguns funcionários na recepção e seu olhar procurou alguém.
"O que estou fazendo?" - perguntou-se.
Subiu para o quarto, mas não resistiu. Ligou para a recepção:
- Por favor, peçam para a camareira... Han... Senhorita Carmem vir até a minha suíte.
- Claro! Um momento, vou localizá-la.
Dez minutos depois...
- Senhora Andréa, sinto muito, ela já saiu. Seu horário é até às dezoito horas. Posso mandar outra pessoa?
- Não, obrigada. - desligou.
"Tô ficando maluca? Uma camareira, Andréa... Se liga! Mas linda... Aquele corpo cheio de curvas sob o uniforme, pele morena, olhos quase verdes... Quando chorou ficou verde... Hmm... Que vontade de abraçá-la, naquele momento... Como serão seus cabelos soltos? Um tesão de mulher... É isso! É  tesão! Chega, Andréa!  Nem pense nisso!"
Resolveu pensar na roupa que usaria a noite, na festa...
****
No domingo de manhã, saí cedo novamente. Henrique não dormiu em casa.
"Melhor" - pensei.
Próximo ao meio dia, estava saindo da lavanderia quando o Senhor Joaquim veio em minha direção e disse:
- Senhorita Carmem, a Senhora Andréa pediu o café da manhã. Leve, por favor.
Fiquei em dúvida. Mas falei:
- Desculpa, Senhor Joaquim, mas será que não seria melhor outra pessoa servi-la? - falei temendo a resposta. Mas ele respondeu calmamente:
- Ela solicitou que fosse você. - e me olhou.
Pela primeira vez, não tinha usado o "senhorita" na frente. Estava me dirigindo à cozinha quando ele me chamou novamente. Olhei para ele.
- Tenha cuidado! - falou.
Não entendi muito bem. Será que ele estava falando com relação ao serviço? Ou a ela?
Bati e ela abriu sem demora, como se estivesse próxima à porta.
- Bom dia! Seu café - falei sem olhá-la.
- Pode entrar. Coloque na varanda. - e afastou-se o suficiente para que eu passasse.
Tive que me espremer para não tocá-la. Embora quisesse... Muito! Nossa, que cheiro maravilhoso! Tentei desviar o pensamento dela.
Fui até a varanda.  Podia ouvir as batidas do meu coração. Sentia seu olhar em meu corpo... Perguntei ainda sem olhá-la:
- Quer que a sirva?
- Quero. - caminhou em direção a mesa e sentou-se. Continuei dispondo as xícaras... Quando ela falou:
- Vai tomar café comigo?
Olhei assustada. Sem entender. Ela sorria. Linda!
- Desculpa, senhora... Nã... Não entendi.
- Perguntei se vai tomar café comigo.
- Acho que seria... Seria impróprio... - parei de fazer o que estava fazendo e olhei-a.
- Então porque está servindo duas xícaras? - disse ainda sorrindo.
Percebi a gafe imediatamente.
- Desculpa... É que achei... Achei que... Desculpa... - baixei os olhos e comecei a recolher a outra xícara.
- Achou que tinha alguém aqui comigo? - e riu como se tivesse contado uma piada. E continuou. - Não... Não tem ninguém... E não seria má idéia...
Olhei para ela incrédula. E resolvi falar:
- Não seria má idéia ter alguém aqui? - ela me olhou e parou de rir. Falou séria:
- Não seria má idéia você tomar café comigo.
Fiquei gelada, embora meu corpo estivesse suando. Dei um passo para trás... Decidida a sair dali o mais rápido possível.
- Se precisar, é só chamar... Com licença...  - e me dirigi à porta.
Ela se levantou e me puxou pelo braço. Fiquei a centímetros de seu rosto... Não conseguia mais pensar... A última coisa que ouvi foi:  
- Estou chamando...
Vi seus lábios se aproximarem, encostaram nos meus... Fechei os olhos e senti a leve carícia. Um suave roçar que me deixou molhada de desejo. Ela me puxou pela cintura, meu corpo grudou ao dela - soltei um suspiro ou um gemido. Com a outra mão arrancou o grampo que prendia meu cabelo, que caíram sobre meus ombros... Ela se afastou sem me soltar... Olhou para mim...
- Linda... Você é linda!
Puxou-me novamente em direção à sua boca, desta vez me tomou com força. Entreguei-me àquela boca que me sugava os lábios, àquela língua que invadia minha boca... Correspondi de forma intensa. Nunca tinha sentido tamanho tesão em um beijo.  Suas mãos desceram pela minha cintura e começaram a levantar a saia... Empurrei-a.
"O que estou fazendo?" -  pensei.
Ela me olhou e eu vi o desejo em seus olhos... E sabia que o meu olhar dizia o mesmo. Não falou nada...
Tentou se aproximar de novo. Coloquei minhas mãos na frente, olhei em seus olhos. Percebi que eu estava cometendo um erro, ela me olhava sem entender. Sem nenhuma palavra. Nem minha, nem dela... Saí do quarto e fechei a porta...
Desci rapidamente para o vestiário. Tive a sorte de não encontrar ninguém nos corredores. Tentava prender meu cabelo, mas minhas mãos não me obedeciam.
"Meu Deus! Como deixei isso acontecer... Droga! Droga! Que boca... Que beijo! Tô ficando louca! E uma mulher!"
Consegui arrumar meu cabelo e fui em direção à cozinha. Passei por Cíntia, que me olhou e percebeu algo estranho.
- Carmem? O que houve? Você está branca! - segurou-me pelo braço
- Nada, Cíntia... Nada...  -  só estou com pouco de dor de cabeça, mais nada - menti e segui meu caminho.
Não tinha condições de falar sobre o que tinha acontecido. Na verdade não sabia o que tinha acontecido, estava em choque.
****
Andréa viu a porta fechar e ficou atônita. Levou a mão à boca, passou os dedos nos lábios...

Capítulo 03


O dia passou sem que eu percebesse, fiquei com receio que ela me chamasse novamente, não saberia como agir. Mas ela não chamou.
No final do expediente fui para casa. No ônibus, fiquei imaginando como seria fazer amor com ela. Tentei desviar o pensamento para outro local. Henrique... Tenho que resolver minha vida.
Mas em menos de um minuto, meus pensamentos voltaram para ela.
"Agora essa! O que essa mulher pensa? Já demonstrou que pega o quer, a hora que quer... Mas não vai me usar. Ah, não vai mesmo!"
Desci do ônibus imaginado os motivos pelos quais ela intercedeu por mim. Acharia que assim eu deveria algo a ela? Será?
Antes de chegar, percebi o movimento e luzes na sala. Pensei em fazer a volta e entrar pela cozinha, mas resolvi entrar pela porta da frente que estava aberta. Vi que os amigos de Henrique estavam lá. Senti calafrios no corpo.
- Oi, minha morena. - Henrique se aproximou e me beijou. Disfarcei e virei o rosto.
- Olha, Henrique, se eu tivesse uma mulher dessas, não deixava sair de casa. - um de seus amigos, muito mau encarado, falou rindo.
Passei rapidamente pela sala, não ouvi a resposta de Henrique. Depois de algum tempo, ele entrou na cozinha, onde eu preparava algo para comer e segurou meu braço. Estava furioso.
 - Já falei pra você não entrar pela sala quando meus amigos estiverem aqui!
- Amigos? Henrique, você chama de amigos aqueles marginais? - respondi no mesmo tom. Percebi que estava drogado.
- Você adora provocar, não é? Adora chamar atenção! - continuou segurando meu braço, agora com mais força. Senti medo.
- Me solta! Não quis provocar ninguém. E não tenho culpa se você não se faz respeitar por seus... Amigos...  - falei "amigos" com ironia.
- Quem não se dá ao respeito é você! - ele falou me empurrando com força.
Caí, derrubando uma cadeira. A dor que senti no corpo não foi nada perto do ódio que sentia dele. Levantei e fui em direção ao quarto. Ele me puxou pelos cabelos, me virou para ele e disse:
- Não quero mais você desfilando pela sala quando tiver alguém aqui. Entendeu? Agora vou sair e não sei se volto essa noite!
Ele me soltou, corri e bati a porta do quarto. Eu me joguei na cama e chorei... Nunca imaginei que chegaríamos nesse ponto. As agressões estavam cada dia piores. Ele estava cada dia pior e eu mais fragilizada. Precisava reagir.
Adormeci e sonhei uma linda mulher nua... Ela se virou... Vi seus olhos negros... Andréa.
***
Andréa não acreditava no tinha acontecido, passou o dia pensando nela.  E se deveria ou não chamá-la para conversar. Pela primeira vez em sua vida, não sabia como agir com uma mulher.
À noite saiu com Paula e Lílian para jantar. Acabou contando a elas o que havia acontecido naquela manhã.
- Você agarrou a camareira? - Paula perguntou incrédula.
Lílian ria. Conhecia muito bem a fama de Andréa. E falou logo depois de Paula:
- Nem a camareira escapou...
- Por favor! Não contei pra ficar ouvindo piadinhas. - estava chateada.
- Desculpa, não foi essa intenção. Mas você há de convir comigo, Andréa... É engraçado! Você e a camareira? - soltou uma risada abafada pelo olhar de Paula.
- Peça desculpas, Andréa. Simples. - falou Paula.
- Ou come ela de uma vez. - Lílian não se controlava, apesar dos olhares de Paula, que percebeu algo no olhos de Andréa que Lílian não viu.
- Se soubesse não tinha contado. - Andréa falou olhando para as duas.
- Desculpa, me perdoa! Mas não resisti, não falo mais nada. - Lílian terminou a frase e colocou as mãos em cima das de Andréa, enquanto Paula falava:  
- Acho que você deveria conversar com ela, Andréa. E como você falou, ela não é nenhuma criança e correspondeu... Não foi?
- Foi, Paula... Foi! Mas... Assim que percebeu, ou sei lá o que pensou, saiu correndo. Ela é... É... - não conseguiu terminar, pois Lílian completou.
- Gostosa? - as duas olharam para ela com olhar de reprovação. - Ok! Ok! Vou ao banheiro. - e saiu, deixando as duas na mesa.
- Ela demonstra uma fragilidade que me comove. Sinto vontade de abraçá-la, segurá-la bem forte, protegê-la...  E além de tudo é... É... Linda! -Andréa disse a última palavra para si mesma.
- Andréa... Não sei o que te dizer. Faça o que deve ser feito, peça desculpas. A não ser que... Que queira algo. - falou esperando para ver a reação da outra.
- Por favor, Paula! Claro que não!
O jantar terminou sem conclusões. A única foi a que Lílian falou para Paula, depois que já haviam deixado Andréa no hotel e estavam sozinhas no carro:
- Acho que a poderosa Andréa Alcântara foi finalmente fisgada... Pela camareira. Temos que conhecê-la. - desta vez não deu risada. Paula foi obrigada a concordar.
***
Saí antes de Henrique acordar. Não vi a hora que ele chegou, pois dormiu na sala.
"Tudo bem!" -  pensei.
Estava decidida: sairia naquela semana de casa. Procuraria algo que pudesse pagar, não estava mais aguentando viver com ele, tampouco suas agressões.
Cheguei no hotel antes de todos novamente, e encontrei o Senhor Alfredo no corredor. Ele me chamou para conversar, fiquei tensa, pois ele nunca conversava com os funcionários de baixo escalão, como eu.
- Sente-se, senhorita - falou gentilmente. Seu olhar me analisava.
- Obrigada, senhor - respondi ao me sentar.
Ele foi direto ao assunto.
- Fiquei curioso para saber o que fez para contar com a proteção da Senhora Andréa.
- Não entendi, Senhor Alfredo... Proteção?  - perguntei demonstrando ingenuidade.
Ele sorriu... Maliciosamente. Levantou-se, parou atrás de mim. Senti seu olhar.
- Você é bem espertinha. Mas cuidado - falou bem próximo ao meu ouvido. Senti seu cheiro de colônia.
Tentei levantar. Ele segurou meu ombro e me forçou a ficar sentada. Continuou falando.
- Ela vai cobrar, se já não cobrou. Tome cuidado. Quando ela cansar, vai demiti-la pessoalmente. Portanto, aproveite. - afastou-se. Olhei para ele e senti nojo... Raiva...
- Não sei do que está falando. Posso ir?
Sentia-me humilhada, queria jogar aquele empreguinho na cara dele... Dela... De todos. Mas precisava. Era a única maneira que tinha de me livrar de Henrique.
- Pode ir sim. - ele falou sem tirar os olhos de meu corpo.
Sai me sentindo péssima.
Naquele dia não a vi. Ouvi quando o Senhor Joaquim chamou Margareth, outra camareira, para levar o café para ela. E depois, ouvi o comentário dela com Marta.
- Essa dona Andréa é uma antipática! Grossa! Reclamou quando fui servi-la. Disse que não precisava ser servida e me mandou sair, acredita? Deixei o carrinho lá e saí.
- Que ninguém ouça você falando dela. Acabará na rua. - completou Marta.
O dia passou sem que tivesse noticias dela. A terça feira foi igual. Cíntia levou o café para ela, e logo depois veio falar comigo.
- Estive na suíte da Senhora Andréa e sabe o que vi? - perguntou baixinho. Olhei para ela mas não respondi. Ela completou:
- Tinha uma mulher com ela, uma morena, bonita... Acho que dormiu aqui. Nossa! Com uma mulher como essa Andréa... Acho que até eu encarava. - fiquei chocada com o comentário e falei:
- Você o quê? Você é lésbica? - perguntei. Ela me olhou e riu.
- Não. Pelo menos até agora. Mas se ela quisesse... Ui! Me arrepia só de pensar... - falou rindo.
Continuei dobrando as toalhas e pensando.
"Tinha outra com ela?" - suspirei. "Ela é uma vadia... Isso que ela é!"
Fiquei o resto do dia de mau humor.
"Por que ela não me chamou mais?"
Na quarta, não fui ao hotel, pois era minha folga e tirei o dia para procurar um local para morar.  Nos últimos dias, quase não tinha visto Henrique, que chegava tarde e, de manhã quando eu saia, estava dormindo. Evitei ao máximo encontrá-lo.
Passei o dia andando nas imobiliárias e vendo anúncios de jornais. Percebi que seria difícil, no máximo conseguiria pagar uma kitinete, mas seria o suficiente para mim. Reservei uma, cuja localização não era distante do centro, nem do hotel. Poderia ir andando se quisesse. E ainda tinha alguns móveis, o que facilitaria, pois não pretendia tirar nada da casa, apenas minhas roupas e coisas pessoais. Fiquei de providenciar os documentos.
***
Naquela quarta, Andréa estava impaciente. Sabia que Carmem não estava no hotel, pois havia passado a manhã na sala de Alfredo, conversando sobre a administração do hotel, e aproveitara para ver as escalas das folgas que estavam em cima de sua mesa.
À tarde foi para o escritório,  que não era distante do hotel. Pensou muito no que havia acontecido, tinha decidido se afastar o máximo possível da camareira, mas estava sendo difícil, não conseguia parar de pensar nela... Naqueles lábios macios... No beijo... Ela a queria, estava louca por ela...
Tinha procurado, em vão, encontrar alguém que a fizesse esquecer. Na segunda foi a um bar,  junto com Paula e Lílian e encontrou Janaina, uma morena bonita, amiga de Lílian e que não tirava os olhos dela. Acabou levando a morena para a cama. Na terça foi ao cinema com Sandra e, apesar da insistência dela, não quis levá-la para o hotel. Não estava com vontade.
Decidiu que ficaria no hotel naquele dia.  Iria dormir cedo e no outro dia chamaria Carmem para conversar. Ainda não sabia o que, mas queria vê-la. Antes de dormir, conversou por muito tempo com sua mãe, que queria informações do andamento de tudo.
***
No outro dia, no vestiário, encontrei algumas camareiras ainda do período da noite, que comentavam o movimento intenso do hotel.  Assim que saí, o Senhor Joaquim passou rapidamente por mim, e disse:
- Senhorita Carmem, por favor. Café na suíte da Senhora Andréa. Agora!
- Sim, senhor. - corri para a cozinha.
Bati. Silêncio... Esperei, bati novamente.
Depois de longos minutos, ela abriu. Estava linda! Vestia uma saia comprida marrom de um tecido leve, uma blusa branca do mesmo tecido, uma das alças caia deixando o ombro nu. Fiquei admirando aquela imagem até que ela se moveu, me dando espaço para entrar. Empurrei o carrinho para dentro e perguntei:
- Onde quer, senhora? - ela não respondeu.
Ficou me olhando, acho que minha pergunta foi um pouco dúbia. Tentei consertar:
 - O café.
Ela sorriu e respondeu:
- Onde? Aqui mesmo. - disse apontando para a mesa na sala. Lembrei do que Margareth falou e perguntei:
- Quer que sirva?
- Quero. - respondeu sem tirar os olhos dos meus, que também não conseguiam se desviar dos dela...
- Sim, senhora.  - falei e comecei a organizar a mesa.
- Carmem... Hmm, é esse seu nome, não é? Eu queria... Queria... - olhei para ela espantada.
- Si..Sim, senhora. - respondi e percebi que ela se aproximou.
Senti seu cheiro... Ela se aproximou mais. Percebi que ela fechou os olhos e respirou fundo. Estava a centímetros de meu rosto...
- Na verdade, ia dizer uma coisa... Mas desisti.
Puxou-me com uma das mãos e me beijou.  Novamente senti sua língua invadir minha boca. Permiti e retribui... Com vontade. Suas mãos nas minhas costas, as minhas na dela. Puxamo-nos num beijo alucinado de desejo. Novamente senti meu cabelo cair. Ela os tirou do meu rosto e os segurou atrás...
Começou a me conduzir em direção ao sofá. Resisti, não deixei meu corpo cair, ela não insistiu. Virou-se e me puxou para cima dela. Caímos juntas.
Não sei por quanto tempo nos beijamos, só percebi que existia mundo quando o telefone da suíte tocou.
Ela me puxou, eu tentei me afastar. Ela tentou me segurar, eu levantei.  Ela também. Olhou para mim querendo dizer algo... Mas não disse. Nem eu.
Arrumei minha roupa. Ela fechou os olhos, respirou profundo... Eu sai correndo.
Corri para o banheiro e lavei o rosto, a nuca, os pulsos... Se pudesse, entrava na pia.
***
Andréa não atendeu ao telefone. Deixou-se cair no sofá e olhou para o teto, fechando os olhos...

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